Nos últimos anos, o Recife vem acompanhando a tendência brasileira de redução dos indicadores de miserabilidade no País, com uma queda de pouco mais de 30% do total da população local em situação de miséria em 2005, para cerca de 20% da população na mesma situação em 2009. O conceito adotado pelo Observatório do Recife define como miserável o percentual da população com renda per capita familiar (soma de todos os ganhos da família dividido pelo total de pessoas) inferior a R$ 132,00 (rendimento médio mensal) no ano de 2009.

Ao mesmo tempo, o Recife ainda permanece como uma das capitais em pior colocação no ranking nacional de miserabilidade, sendo a penúltima colocada, com 20,75% da população ainda ocupando essa condição em 2008. Desta forma, a nossa cidade fica à frente apenas da capital alagoana, Maceió, que tinha índice de 25,60% de miseráveis no mesmo ano.

Sobre a questão do emprego no Recife, de acordo com informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o balanço do mercado de trabalho na cidade aponta que o impacto da crise econômica mundial de 2008 e 2009 não atingiu significativamente o município. Esse dado pode ser percebido durante o ano de 2009, desdobrando-se também para o início de 2010, em especial no que se refere à geração de empregos.

Segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), aplicada pelo Dieese na Região Metropolitana do Recife (RMR), nos três primeiros meses de 2011, as taxas de desemprego total (incluindo desemprego aberto e oculto) da cidade foram de 13,50%; 13,90%; e 13,90%; enquanto que no mesmo período de 2010 as taxas foram: 17,90%; 19% e 19,30%, respectivamente.

Além da RMR, a pesquisa foi aplicada na perspectiva do Distrito Federal e de outras cinco regiões metropolitanas: São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Fortaleza, onde também se verificou que a taxa média anual de desemprego vem caindo efetivamente nos últimos anos. Considerando o conjunto das localidades pesquisadas, nota-se uma redução da taxa de desemprego de 18,70% ao mês em 1998, para 11,90% a.m. em 2010.

Em relação às outras regiões metropolitanas pesquisadas, o Recife registrou uma queda do percentual de desempregados de 22,30%, em 2005, para 16,20%, em 2010. De acordo com a pesquisa, os números do Recife são ligeiramente melhores que os de Salvador, que teve o pior dos desempenhos entre as cidades avaliadas, com percentual de desempregados de 22,10% para 16,60% no mesmo período (2005-2010). Embora essa situação ilustre uma realidade ainda longe da ideal, ela representa um avanço, uma vez que, historicamente, a Região Metropolitana do Recife tinha o pior desempenho entre todas as localidades pesquisadas.

Mesmo diante dessa redução, no geral, a taxa de desemprego do Recife (16,20%) ainda é quase o dobro da menor taxa do País, de Belo Horizonte, Minas Gerais (8,40%, em 2010). E mais: se considerarmos a série histórica, a melhoria dos índices do Recife tem avançado muito lentamente.

Indicadores de 2010 apontam que, em números absolutos, o Recife tem pouco mais de 670 mil trabalhadores com vínculo de emprego formal, dos quais cerca de 40 mil (ou 5,83% do total) ganham até um salário mínimo. A desigualdade pode ser observada na proporção da distribuição da renda entre esses trabalhadores, uma vez que os que ganham até dois salários mínimos representam 54,32% do total; enquanto que o percentual de trabalhadores que ganham mais de 15 salários mínimos não chega a 3%.

Emprego X Gênero – Um dado que chama a atenção é a relação entre emprego e gênero. Indicadores de 2010mostram que, no Recife, as mulheres ocupam 54,91% dos empregos com vencimentos de até um (01) salário mínimo, e apenas 32,26% das vagas que pagam acima de 20 salários mínimos. Ou seja, quando se paga menos, mais mulheres. Quando os salários aumentam, mais homens.

Outro aspecto importante a ser registrado é a situação do emprego para o jovem recifense, entre 16 e 24 anos de idade. Nos últimos anos, o número de jovens com emprego formal no Recife aumentou: passou de 65,2 mil em 2007 para 78,4 mil em 2009. Isso corresponde a 25,35% da população total do Recife em 2007, e a 31,12% em 2009 – o que significa que apenas um entre cada três jovens tem trabalho com carteira assinada.

Em tempo: o Recife está entre as capitais que pagam os piores salários para os jovens de 16 a 24 anos no País, com um valor médio de R$ 720,22 (base dezembro de 2009). Em Brasília, o salário para a mesma faixa etária é de R$ 1,15 mil e, em São Paulo, R$ 992,00.

O que nos leva a questionar se da forma como tem tratado suas questões de emprego e renda o Recife poderá, em poucos anos, acompanhar – ou mesmo dar suporte – a política de desenvolvimento da qual o Brasil necessita para se manter competitivo frente aos mercados internacionais. A resposta para isso só pode ser uma atuação cidadã mais comprometida com os investimentos sociais estruturantes. E, claro, o compromisso da gestão municipal em garantir que esses índices dêem o salto que precisam nos próximos anos.

Colaboraram:

Kilsa Rocha

Valdeci Monteiro

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