Uma praça “feita” pelo povo
Poço da Panela // Moradores se unem e conseguem concluir projeto que beneficia toda a comunidade
“A praça é do povo, como o céu é do condor.” A poesia de Castro Alves levou 52 anos para ser realmente compreendida por Irene Paulina dos Santos, 57. Moradora do Poço da Panela desde os cinco, ela só conheceu o gostinho de “ter” uma praça quando pôde levar o neto para brincar na Praça Professor Rui Antunes.
O espaço foi inaugurado, há uma semana, no coração do bairro. Desde então, é a alegria da criançada. O povo reinventou e tomou conta do espaço. Uma conquista dos antigos e novos moradores que, há mais de 10 anos, discutiam a importância da criação do local. Um exemplo real das conquistas da ação coletiva.
O presidente da Associação de Moradores e Amigos do Poço da Panela (Amapp), Alcides Tedesco, ressaltou que a criação do espaço é uma antiga reivindicação dos moradores, representados pela associação e pelo conselho. “O bairro sempre teve uma grande quantidade de crianças e precisava de uma estrutura mais adequada de lazer e gratuita”, disse, citando os benefícios trazidos à comunidade. Após várias reuniões, os moradores conseguiram o financiamento da Chesf e o apoio da Prefeitura do Recife, que ficou responsável pelo acompanhamento da obra e elaboração do projeto do espaço, junto com a Amapp. A área de 1.578,87 metros quadrados recebeu investimentos da ordem de R$ 200 mil.
Com playground, área de ginástica, quadra, mesa, jogos e bancos, a praça enche os olhos das crianças. Na manhã de ontem, o neto de Paulina Santos, Caio Lucas, 4, e seu primo, Alisson Ferreira, 5, se divertiam entre os balanços e escorregos. A avó era só satisfação. “A praça é muito útil para a comunidade. Não precisamos mais nos deslocar para longe e temos um lazer na esquina de casa”, ressaltou. Ela lembra que, quando era pequena, as crianças brincavam na rua e, quando os pais queriam variar, costumavam levar as crianças para a Praça de Casa Forte, a mais próxima. “Mas lá não tinha brinquedos e as crianças adoram. É bom porque gastam a energia”, comentou.
O espaço está dividido em uma quadra poliesportiva, a Academia Nossa Senhora da Saúde e uma área infantil, denominada de Pequeno Príncipe. Os moradores agora têm outro objetivo, que é garantir uma manutenção permanente. “Gostaríamos de um zelador fixo para garantir que a praça não seja depredada. Agora ela está toda nova, mas não temos como garantir que todos irão cuidar”, disse Paulina. Ela destacou a conquista como mais um exemplo da coletividade do bairro. O presidente da Amapp credita a conquista à organização e persistência da associação, que já tem 10 anos. A instituição tem como regimento a preservação da identidade original do Poço e o desenvolvimento de ações, projetos e atividades que visem a elevação da qualidade de vida na região.
“Já realizamos 110 reuniões gerais ordinárias, além das extraordinárias”, destacou Tedesco. Outro assunto que representa um dos focos de atuação da associação, com eventos e publicação de jornais, é a recuperação e conservação do Rio Capibaribe. “Essa é outra batalha nossa. Queremos o Capibaribe vivo, viva o Capibaribe”, afirmou. O Poço da Panela possui cerca de 87 hectares, habitados por uma população média de 4 mil pessoas e faz fronteira com os bairros de Casa Forte, Monteiro e Santana.
A praça e o Poço
- Localizada na confluência da Rua M. M. Guimarães e a Estrada Real do Poço
- Recebeu investimentos de R$ 200 mil
- Tem quadra poliesportiva, área de academia e brinquedos
Fonte: Diario de Pernambuco | Vida Urbana | http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/01/15/urbana5_0.asp


