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Região Metropolitana do Recife e a crise econômica

As informações recentes produzidas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego, realizada pela Agência CONDEPE/FIDEM, em parceria com o DIEESE e a Fundação SEADE, apresentaram, no balanço recente sobre os anos 2008 e 2009, o impacto da crise sobre o mercado de trabalho metropolitano do Recife. A conclusão mais evidente, a partir dos dados, é a de que a crise não alcançou significativamente a Região Metropolitana do Recife (RMR), pelo menos da perspectiva da geração de emprego.

De fato, entre 2008 e 2009 a população ocupada – formal e informal – expandiu-se na Região Metropolitana a uma taxa de 3,6% o que significa um crescimento importante do nível de ocupação: a população ocupada passou de 1.372 mil a 1.422 mil . Não obstante o decréscimo do emprego total, a Indústria dispensou 4 mil pessoas e o setor terciário (sem considerar as atividades domésticas) e a construção civil mais que compensaram o declínio do emprego ocorrido nas atividades industriais. A construção civil passou, em 2008 de um contingente de pessoas ocupadas de 64 mil pessoas para 80 mil, em 2009, o que significa uma expansão relativa de 25% de um ano para o outro. Quanto aos serviços, embora a taxa de crescimento seja menor o aumento, em termos absolutos, do número de pessoas ocupadas é bem maior: em 2008 estimou-se em 742 mil pessoas empregadas nessa atividade, que passou para 771 mil em 2009. Embora a taxa de desemprego total (aberto e oculto na denominação do DIEESE) tenha sido, em 2009 (19,2), uma das menores da registrada desde 1998, o número absoluto dos desempregados totais na RMR alcançou o contingente de 338 mil, o que não é um número pouco significativo.

A crise mostrou, talvez, a sua presença na evolução do rendimento das pessoas ocupadas que ganhavam em média mensal R$ 767, em 2008 e alcançaram R$ 761, em 2009, registrando uma perda, portanto, de -0,8%. No entanto esse comportamento dos rendimentos ocorre de modo diferenciado. Ele é positivo em relação aos totais do assalariado (+1,3%) e é negativo com relação aos trabalhadores autônomos que perderam cerca de -2,9% no ano passado, em média.

O que está por trás desse dinamismo do emprego na construção civil que certamente repercutiu nas demais atividades notadamente o comércio e serviços? A produção de residência para diferentes níveis de renda, a implementação de obras ligadas aos grandes projetos do Complexo Portuário de Suape e as obras de infra-estrutura, notadamente na área de transporte.

O que os dados sugerem, ao mostrar um declínio no emprego industrial, é que o impacto do crescimento da construção civil e de outras atividades como as assinaladas anteriormente, não chegaram, no referido ano, a provocar impactos no setor industrial da Região Metropolitana do Recife, que se expressasse numa taxa positiva de expansão.. O adiamento de investimentos e ampliações de projetos industriais diante da desaceleração da atividade manufatureira nacional e o fato de a atividade dos novos projetos permanecer ainda concentrada na fase de realização de obras de implantação, talvez explique esse desempenho negativo do emprego industrial metropolitano.

A comparação do crescimento das pessoas ocupadas da Região Metropolitana do Recife com outras regiões para as quais existe pesquisa similar (Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Salvador e São Paulo) mostra que o dinamismo da ocupação total na RMR foi maior que o de qualquer dessas localidades, menos a do Distrito Federal (3,7%). A população ocupada total da RMR, como se assinalou, expandiu-se entre 2009 e 2009 a uma taxa de 3,6% maior que a de Belo Horizonte (-0,2%), Porto Alegre (1,3%), Salvador (1,2%) e a de São Paulo (-0,1). Por outro lado, a média das referidas regiões metropolitanas pesquisadas – que inclui a RMR – confirma a maior dinâmica da metrópole do Recife para todos os segmentos produtivos.

O que se espera é que a partir dos investimentos estruturadores realizados na RMR e com a saída da crise da economia brasileira e das demais, a metrópole do Recife possa diminuir o grande contingente de desempregados presentes da região. No entanto a trajetória será longa para se alcançar um nível de desemprego “civilizado”. Se a população economicamente ativa continuar crescendo, como ocorreu entre 2008 e 2009 a uma taxa de 3,1% e a população ocupada a 3,6%, somente a partir de 2033 apresentará taxa de desemprego (aberto e oculto) inferiores a 10%. É uma longa caminhada.

* Leonardo Guimarães Neto é Economista e Sócio da CEPLAN

Fonte: news@ceplan.relazione.com.br

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